03/08/2011

Ao encontro

O sol aos poucos ia sumindo no horizonte, revelando um alaranjado vibrante que logo perderia sua força dando lugar a um escuro céu, repleto de estrelas que formaria um aglomerado de pequenos pontos iluminados, dando uma beleza especial ao caminho que Matheus trilharia até seu destino.

Em uma de suas mãos, uma rosa era segura de forma cuidadosa para que não se machucasse conforme Matheus seguia seu caminho. Já sua outra mão, que repousava no bolso de sua calça, certificava que ainda se encontrava ali a carta que escrevera com carinho àquela que deveria ter ouvido tudo bem antes, ao invés de somente ler sem ter a idéia da dificuldade que era dizer tudo aquilo pessoalmente, como bem sabia o rapaz.

A paisagem do caminho se fazia de fileiras de pedras em formas retangulares, de modo bastante rústico, perfilando uma via principal e a seguindo até que ela se perdesse de vista. Entre tais fileiras, frias vielas estreitas se formavam, e por elas Matheus passava de forma lenta, admirando as flores que ali repousavam e recebiam os últimos raios de sol do dia.

Mesmo sabendo que um dia tais flores morreriam, e mais rápido do que se estivessem com suas raízes fixadas a um chão que lhe servisse de repouso, era a possibilidade de “vida entre o não vivo”, como ele pensava naquele momento, o que encantava os olhos daquele rapaz.

Assim, enquanto andava e admirava a beleza do céu e das flores que se iam, o trajeto diminuía e em breve o encontro com quem o esperava repousando em uma dessas pedras poderia por fim se concretizar.

Suas mãos estavam trêmulas, mas também pudera, fazia alguns meses que Matheus não tivera coragem de ir ao encontro daquela que tanto queria voltar a rever, e não sabia ainda como reagir ao encontrá-la, ainda que tivesse ensaiado mentalmente algumas falas e assuntos para conversar.

Ao atingir a base de um íngreme descampado, em seu topo, lá estava ela a sua espera, sentada em uma dessas pedras retangulares, sendo iluminada somente pela luz da lua, o que lhe concedia um ar quase sobrenatural aos olhos de Matheus, que estavam cegos pelo presente que aquela noite estava lhe oferecendo.

Ao se aproximar, gentilmente, Matheus retirava seu chapéu trazendo-o até seu peito e em meio a um sorriso, com a outra mão estendida, presenteava a jovem com a rosa que trouxera por todo o caminho.

Ela graciosamente retribuía o sorriso com outro, o que a tornava ainda mais linda aos olhos de Matheus, que não conseguia pensar em mais nada a não ser no quanto estava feliz por ter tomado a decisão de ir vê-la.

Então, aceitando a rosa, com um movimento delicado ela permitiu que ele se sentasse ao seu lado, e assim, quietos em uma linda noite escura, com apenas as estrelas brilhando altivamente, eles permaneceram.

Logo Matheus que tanto tinha a dizer, emudecera, se bem que nada mais era preciso ser dito. Os olhos da jovem brilhavam e não era somente o luar, disso o rapaz tinha certeza, afinal os seus ele sabia que brilhavam do mesmo jeito, sendo que dessa forma palavras não mais seriam necessárias... muito menos cartas.