Inútil!
Uma folha branca sempre será uma folha branca.
Pode ser que no decorrer do tempo novos tons venham a esconder o vazio alí contido. Um sorriso amarelo para falta de conteúdo. Um tom avermelhado para vergonhas. Mas o fato é que a essência de uma folha branca, sempre será o branco.
OK, até aceito que haja exceções. Até aceito que haja aquelas folhas que tenham se dedicado a esconder o seu vazio por detrás de conteúdo, mas a que custo?
Seria menos branca uma folha inteira dedicada a conteúdo?
“Eu sou útil!” _ Diz a folha de conteúdo.
“Que inútil!” _ Eu respondo àquela folha.
Alguns poucos apenas. Só entre o caos.
Por acaso o caos tem ouvidos? É?! Mesmo?! Sei...
O caos apenas se diverte nele mesmo, achando que tudo está na mais perfeita ordem, afinal, aquela é a ordem inicial dele mesmo. Para eles, os tons que darão à suas folhas brancas, pouco importa, desde que se entorpeçam com um chá de foda-se, tudo certo.
Eu não os culpo, nem os que se escondem atrás de conteúdo, nem aqueles que vivem em meio ao caos, afinal, nunca foi dito com todas as letras a utilidade de uma folha.
“Talvez uma folha não seja branca de fato. Talvez sejamos apenas míopes demais para ver as coisas. Massa, não?!” _ responde algum metido a sabichão dentro de uma sala de aula, com sua mão ainda levantada para se fazer notar.
De fato somos míopes de mais para ver qualquer coisa, e igualmente de fato, talvez não seja branca uma folha. Mas “talvez” está longe de ser “certeza”.
Uma folha branca sempre será uma folha branca largada a improvisos, a interpretações próprias ou de outras, no decorrer de uma caneta no tempo.
Então, como preenche-la?
Que inútil!
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