21/02/2012

Em Frente

O céu estava se fechando para chuva enquanto eu caminhava rumo a... Bem, não consigo me lembrar ao certo para onde eu caminhava, mas eu estava ao lado de uma estrada, disso eu sabia, aparentemente sem direção, ou ao menos, para uma direção na qual minha memória teimava em não me contar.

A paisagem ao redor da estrada era composta por plantações de trigo, formando um campo dourado conforme feixes de luz do sol escapavam por entre as nuvens carregadas e tocavam suavemente seus grãos, formando assim uma beleza paradoxal.

Dourado à altura dos olhos, e escuro por todo o resto, com apenas uma linha tênue os separando ao longe no horizonte, para onde me dirigia sem ter idéia do que eu iria encontrar lá.

Do início do caminho que percorri até alcançar tal distância, de pouca coisa me lembrava e isso me fazia saber apenas o que me era momentâneo; meus pés doíam, minha respiração era ofegante, tudo apontava para o fato de que estava naquela estrada já a algum tempo, mas nada apontava meu começo, ou então, qual seria o meu fim.

Cansado, me sentei ao pé de uma arvore carregada de folhas que se encontrava ao lado da via, e me abriguei em baixo dela, até por que, o céu começava a esbravejar e desferir seus golpes em forma de chicotadas de luz contra o solo, mas não aquele tipo de luz anterior que transformava tudo em dourado, dessa vez era uma luz punitiva.

Eu não tinha para onde ir, aquela arvore seria meu guarda e minha companhia enquanto o céu estivesse desabando, apesar de saber que ela não era a melhor das companhias neste momento, afinal, quanto mais ao alto se dirige, maior é a atração de tudo quanto é vontade de destruição, e o céu nem chorava em sinal de remorso enquanto demonstrava sua violência.

Assim permaneci, temendo pela minha pequenes diante de tal fúria que a arvore atraía, mas, ao mesmo tempo, boquiaberto com aquela beleza raivosa que cortava o céu e proporcionava rápidos momentos onde tudo se tornava claro e de uma visibilidade incrível, ainda que fosse seguido de longos momentos escuros e que de belo tinha muito pouco.

A ira altiva frente à minha falta de visão, o não saber quando será o próximo urro do céu com seu chicote de luz em mãos, a presença de tal árvore e a necessidade de seguir em frente, tudo estava acontecendo, e eu nem sabia do por que estava ali, mas apenas estava.

_ Não sou tão alto quanto ti, e nem tenho raízes tão bem fixadas ao chão que me sustente suficientemente para agüentar com tanta imponência, como a sua, toda essa ânsia destrutiva que visa invejosamente lhe destruir, por isso creio que tenho que partir. Se um dia crescer ao seu tamanho, volto, mas não mais me abrigando sob suas forças, dessa vez como igual. _ digo à árvore, seguindo em meu rumo desconhecido com a tempestade ainda caindo, afinal, em uma estrada, se segue ou se para.

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