(...)
Em
outra vida, quando ainda havia um banco à beira de um penhasco, o Velho lera
que o tempo curava tudo, e por muito tempo acreditou nisso.
Não
havia necessidade que o tempo, em mais ou menos hora, não curasse.
Bastava
esperar que ele passasse como geralmente passava, lentamente de dia, e rápido à
noite, que em meio ao durante lá se ia qualquer mal.
Às
vezes, o tempo tardava o sono, deixando certas dores latejando, mas até nesses
momentos ele dava uma passada, nem que fosse com curas paliativas.
O
tempo tinha seu próprio tempo de agir, e tímido, odiava que fosse vigiado,
tardando suas ações. Agora, se esquecido, voava o mais depressa que podia.
Os
três caminhantes estavam à mercê dele, que de tempos em tempos lhes davam
trégua, e fazia tudo passar depressa naquela caminhada desértica. Mas de tempos
em tempos trazia aos três longos momentos de dor.
Nesses
longos momentos eles viam o longe, mas não o futuro. Já naqueles momentos que
passavam depressa, eles enxergavam o futuro, mas ele se encontrava tão próximo,
que nunca se via o longe.
Tudo
era uma questão do tempo passar, mas nenhum dos três estavam dispostos a
esperar, então andaram à frente dele, tentando deixar tudo para trás, mas nada encontraram
antes do tempo, nem uma cura, nem um local a se chamar de lar novamente.
Dessa
forma, o tempo não pôde ajudar àqueles que não esperaram por ele.
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