27/10/2015

Baltazar e Eu


(...)
Em outra vida, quando ainda havia um banco à beira de um penhasco, o Velho lera que o tempo curava tudo, e por muito tempo acreditou nisso.
Não havia necessidade que o tempo, em mais ou menos hora, não curasse.
Bastava esperar que ele passasse como geralmente passava, lentamente de dia, e rápido à noite, que em meio ao durante lá se ia qualquer mal.
Às vezes, o tempo tardava o sono, deixando certas dores latejando, mas até nesses momentos ele dava uma passada, nem que fosse com curas paliativas.
O tempo tinha seu próprio tempo de agir, e tímido, odiava que fosse vigiado, tardando suas ações. Agora, se esquecido, voava o mais depressa que podia.
Os três caminhantes estavam à mercê dele, que de tempos em tempos lhes davam trégua, e fazia tudo passar depressa naquela caminhada desértica. Mas de tempos em tempos trazia aos três longos momentos de dor.
Nesses longos momentos eles viam o longe, mas não o futuro. Já naqueles momentos que passavam depressa, eles enxergavam o futuro, mas ele se encontrava tão próximo, que nunca se via o longe.
 Tudo era uma questão do tempo passar, mas nenhum dos três estavam dispostos a esperar, então andaram à frente dele, tentando deixar tudo para trás, mas nada encontraram antes do tempo, nem uma cura, nem um local a se chamar de lar novamente.
 Dessa forma, o tempo não pôde ajudar àqueles que não esperaram por ele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário